ESCOLA SECUNDÁRIA COM 3º CICLO DE AMORA

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Boas Festas

A equipa do CNO da Escola Secundária de Amora deseja BOAS FESTAS e FELIZ 2011.




quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Sessões de Júri de Certificação de Nível Básico e Nível Secundário



Nos dias 20, 21 e 23 de Dezembro realizaram-se três sessões de Júri de Certificação de candidatos para o nível Básico.




Na sessão de 23 de Dezembro certificámos também um adulto de nível secundário.




As todos os adultos certificados desejamos as maiores felicidades e recordamos a citação proferida pelo professor avaliador externo:


"O que sabemos, saber que o sabemos. Aquilo que não sabemos, saber que não o sabemos: eis o verdadeiro saber." Confúcio


E procurar saber o que não sabemos.







Ao longo de cerca de três meses, os candidatos desenvolveram um conjunto de aprendizagens e um processo de valorização pessoal bastante enriquecedor, que segundo as suas intervenções reforçaram não só os laços sociais, como também a sua auto-estima.







Foi clara a motivação e intenção de darem continuidade à sua formação, tendo sido feitas algumas recomendações.





Parabéns a todos!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Sessão de Júri de Certificação - Nível Secundário

Realizámos no passado dia 17 de Dezembro de 2010 nova sessão de Júri de Certificação de Nível Secundário em que cinco novos adultos fizeram a sua apresentação final na presença do Presidente do Júri e Avaliador Externo.

Foram cinco apresentações distintas, resultado de percursos de vida também bastante distintos.

O Centro ES@+ felicita os adultos certificados e espera que a conclusão desta etapa das suas vidas seja também a primeira de um longo e frutuoso processo de aprendizagem ao longo da vida.

Deixamos aqui os testemunhos dos adultos certificados sobre o processo que agora concluiram:

Não quero finalizar sem AGRADECER A TODOS os envolvidos neste processo, pela paciência de me terem aturado todos estes meses. Por não desistirem de acreditar nas pessoas e de lhes darem muitas vezes o apoio e o alento que necessitam para que realizem com sucesso o RVCC secundário.
Foi uma experiência muito diferente (nem sempre fácil) ter que relacionar a nossa vida pessoal, profissional, social, cultural com os critérios exigidos pelo processo RVCC.
Por isso o meu BEM-HAJA para: as técnicas Dr.ª Ana Mariano e Dr.ª Marina Fernandes. Aos formadores João Pires, Rui Laureano e Manuela Bernardino e a todos os/as colegas da turma M2, o meu MUITO OBRIGADA."
Ana Paula Oliveira, adulta certificada com Nível Secundário


"O facto de ter recorrido às Novas Oportunidades e ter deste modo, através do RVCC, concluído o ensino secundário, ajudou-me de facto, a efectuar uma visita pelo passado e deste modo, através da experiência de vida, e também dos conhecimentos adquiridos ao longo da mesma, poder de facto provar as competências de que disponho.

Ao ser portador dos certificados que comprovam estas valências académicas sinto que todo o esforço foi compensado e que todas as pessoas que não possuem os estudos mínimos e necessários hoje em dia, deveriam juntar-se a este projecto e desse modo apostarem na sua formação.
Deixo aqui um abraço a toda a equipa do CNO – ES@+, que de uma forma excelente e dinamizadora, colabora para que este sonho, tornado realidade para muitos de nós, seja uma constante.

É com um enorme orgulho que faço parte desta vasta equipa de pessoas que fizeram um esforço redobrado para melhorarem as suas habilitações académicas.

Mário Pinheiro, adulto certificado com Nível Secundário


“Luz ao fundo do túnel” é o que sinto neste momento, ao fim deste ano e meio, tempo em que realizei este processo, em que tive momentos carregados de emoção. Chorei, ri, zanguei-me e fiz as pazes comigo mesma. Tive alturas em que pensei que não iria conseguir, até porque parecia que sempre que tinha dado um passo em frente, era obrigada a recuar dois.

Um desses momentos foi quando me explicaram que devia fazer formação complementar em uma ou duas competências, pois a minha experiência de vida ainda não me tinha permitido adquiri-las. Na altura entendi isso como sendo algo negativo e, como tal, senti-me triste e deprimida.

Hoje, entendo que me ajudou muito e que é normal, principalmente com a minha idade, não ter todas as competências exigidas.

Só me resta agradecer a todos os que estiveram ao meu lado no decorrer deste processo, aos formadores e à técnica, que sempre me ajudaram e acreditaram em mim, sem me pressionarem, nem criticarem.

Agora é continuar e seguir para a faculdade. Psicologia é um dos cursos que mais me apaixona e foi o que o meu instinto me levou a escolher. Até já me informei sobre as duas hipóteses de acesso à Universidade: Acesso para Maiores de 23 anos e regime geral. Agora resta-me continuar com o plano.

Sandra Patrício, adulta certificada com Nível Secundário




domingo, 19 de dezembro de 2010

Sessão de Júri de Certificação de Nível Básico

2o de Dezembro de 2010 - 18:30.

21 de Dezembro de 2010 - 18 horas.

23 de Dezembro de 2010 - 11 horas.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Lições de Vida

É sempre gratificante enquanto profissionais nesta área encontrarmos uma das lições de Vida mais frequentes do nosso "público" expressa desta forma simples e bonita:

"Como tudo na vida, temos que dar tempo ao tempo. Julgo que é das melhores lições que podemos retirar das várias situações por que passamos ao longo da vida, ou seja, tudo tem um tempo específico para acontecer.

No meu caso, o tempo da escola, pensava eu, já tinha passado, mas esta é a melhor altura para prosseguir estudos. A maturidade dá-nos alguma clareza de espírito, que não temos aos dezasseis anos; pensamos que a vida é muito longa e que o tempo nunca tem pressa.

Nunca é tarde para pormos projectos em andamento, desde que haja força de vontade e curiosidade."

João Pires, adulto em certificação Nível B3

Experiência na pesca do bacalhau








Nesta época natalícia, o Bacalhau é um elemento incontornável em qualquer mesa portuguesa. Nem sempre foi assim. Como escreveu o nosso adulto em processo Paulo Sousa, que possui no seu currículo 2 anos de campanhas na pesca deste peixe, “quando este começou a surgir o mesmo era consumido pela chamada classe baixa. Com o passar dos anos passa a ser consumido por todas as classes sociais, e verifica-se a evolução da culinária, a confecção de receitas a partir do bacalhau chega às várias centenas.

Desta forma houve um aumento enorme na procura do bacalhau, ao ponto de, hoje, esta espécie se encontrar ameaçada de extinção. Segundo um relatório da World Wide Fund for Nature (WWF), uma entidade não governamental dedicada à conservação da Natureza, a captura do bacalhau sofreu uma quebra de 70% nos últimos 30 anos e se esta tendência não se inverter, o bacalhau poderá desaparecer dentro de apenas 15 anos.


Ao lermos a descrição do Paulo Sousa sobre a evolução tecnológica que a apanha do Bacalhau sofreu, fica bem claro como chegámos a este ponto:


“Importa referir as diferenças entre os anos em que o meu avô foi pescador (de 1937 a 1956) e a evolução até aos dias de hoje. No inicio do século os navios eram à vela (…) e a pesca era feita a partir dos dorís, cada pescador pescava com duas linhas tendo cada uma delas um só anzol.


Apesar dos avanços na construção naval, com o surgimento dos navios a motor, as campanhas ao bacalhau mantiveram-se nos seis meses, ou seja, cada navio só fazia uma viagem aos bancos da Terra Nova (por ano).


Igualmente foi possível capturar muito peixe mas sem afectar grandemente as reservas, pois que o peixe capturado era essencialmente adulto, tendo-se já reproduzido, mantendo deste modo um equilíbrio entre o peixe que nascia e o que era capturado.


Nos anos sessenta foram abandonados os dóris e introduzidas as redes. Estas eram lançadas ao mar de várias formas, tanto a partir de pequenas embarcações a motor que existiam a bordo dos navios, como a partir dos próprios navios por um dos bordos e eram designadas por redes de emalhar. As lançadas a partir da popa do navio eram arrastadas ao longo de vários milhas e capturavam toda a espécie de peixe, apesar das restrições.


Foi também por esta altura que começaram a surgir as sondas (sonares), equipamento que veio permitir varrer o fundo dos oceanos e desse modo determinar a localização dos cardumes, dando desse modo aos Capitães dos navios uma percepção mais exacta sobre o local onde lançar as redes.


Apareceram ainda navios Espanhóis que pescavam em parelha, ou seja, cada um tinha uma das extremidades da rede. Este tipo de pesca visava o lucro fácil e rápido e fazia jus ao ditado que diz que “ tudo o que vem à rede é peixe” desse modo efectuavam uma captura ainda mais agressiva sobre todas as espécies piscícolas, não permitindo que o peixe atingisse a idade da desova, impossibilitando desse modo a regeneração dos cardumes.


Toda esta azáfama de navios de grande porte que nesta altura já faziam não uma, mas duas campanhas por ano, a que se juntaram mais tarde os navios fábrica, começaram a ter efeitos nefastos na regeneração do pescado. Apesar das autoridades Canadianas terem navios e aviões a controlar a posição dos navios e também fiscais a bordo dos mesmos, era vulgar os Capitães adoptarem alguns truques para capturar mais peixe.
(…)


Recordo-me de um arrastão que ao entardecer entrava nos bancos do bacalhau e arrastava até ao nascer do dia, regressando depois à sua área de pesca. Como era um navio recente o seu sistema de propulsão permitia-lhe deslocar-se rapidamente, mas não há bela sem senão e o truque foi descoberto, não restando outra alternativa que não fosse a fuga para águas nacionais. Os Açores estavam tão perto mas a ameaça do uso da força por parte da guarda costeira levou o navio a dar meia volta, parte do pescado foi confiscado e o Capitão proibido de regressar por um período de cinco anos.”

Paulo Sousa, adulto em certificação Nível Secundário

Neste episódio da sua vida, do qual apresentámos apenas um excerto, o Paulo Sousa evidencia (documentando com imagens e cópias de documentos) ter actuado “na exploração dos recursos naturais (…) com conhecimento dos meios técnicos adequados, tradicionais ou inovadores”. Este é um dos 3 critérios de evidência de Sociedade, Tecnologia e Ciência necessários para validar a competência do domínio profissional do núcleo de Urbanismo e Mobilidade.
Inês Oliveira, Profissional de RVC
Rui Laureano, Formador de STC


E você? Vai comer bacalhau este Natal?

Como transformar uma experiência em competência?

O seguinte texto do adulto Luís Rodrigo é um bom exemplo para demonstrar como uma experiência de vida significativa pode ser o ponto de partida para uma reflexão orientada para o Referencial, neste caso, para o Núcleo de Saúde, contexto profissional.

“No decorrer de domingo de manhã, durante o serviço de pequenos-almoços no hotel, procedi ao abastecimento de umas lamparinas de um banho-maria (Banho Maria, ou Rechaud, é um equipamento hoteleiro que permite manter os alimentos quentes durante o serviço de sala). Essas lamparinas estão cheias com um gel inflamável com base de álcool.

Depois de encher as mesmas, inflamei o gel que continham, para posteriormente colocá-las no respectivo lugar. Acontece que, sem me ter apercebido, um pouco desse gel entrou em contacto com as minhas mãos e, quando inflamei a lamparina, a minha mão começou também a arder. Com a aflição, larguei a lamparina para o chão e apaguei o gel que tinha nas mãos, no entanto, a lamparina caída derramou gel para o chão junto a uma mesa de bufete, inflamando de imediato as toalhas em redor da mesma. Para piorar a situação, o recipiente que contém o gel combustível incendiou-se, porque estava junto ao bufete, cujas toalhas estavam a arder.

A minha reacção (erradamente) foi pegar numa toalha de mesa e tentar abafar o fogo. Infelizmente, a toalha que escolhi tinha um composto acrílico e assim que entrou em contacto com as chamas começou a arder. A minha aflição foi tal que entrei em stress e procurei uma nova toalha para proceder à mesma acção, mas a toalha voltou a servir de combustível.

A minha sorte foi o alarme de incêndio ter disparado na recepção e rapidamente 3 colegas virem em meu auxílio com extintores.

O que surpreende nesta situação é que, a menos de 10 metros do local onde me encontrava estava um extintor e nunca me passou pela cabeça correr para buscá-lo. Chego à conclusão que nunca se está preparado para uma situação deste género e que a melhor forma de preparar as pessoas é com formação e com treinos periódicos”.

Luís Rodrigo

Esta conclusão que o Luís Rodrigo tira mostra que este episódio se traduziu numa aprendizagem significativa, pois pensou no que lhe aconteceu e sentiu na pele (literalmente) a importância de uma formação na área da segurança que envolva treinos práticos em situações de emergência. Estas aprendizagens significativas são o ponto de partida da construção do Portefólio Reflexivo de Aprendizagens (PRA) mas é necessário, depois, reflectir sobre elas.

Neste sentido lançamos aqui alguns tópicos de reflexão:

Em termos de segurança no seu local de trabalho, quais os aspectos positivos a realçar? E os negativos? O que faria para melhorar as condições de segurança no seu local de trabalho? Como comunicar aos seus colegas a importância da realização de simulacros no local de trabalho?
Pretende-se, com estas reflexões, permitir ao adulto evidenciar, por exemplo, a competência de Sociedade, Tecnologia e Ciência: “Promover comportamentos saudáveis e medidas de segurança e de prevenção de riscos em contexto profissional”, de acordo com o Referencial de Competências-Chave do Nível Secundário.
Inês Oliveira, Profissional de RVC
Rui Laureano, Formador de STC