ESCOLA SECUNDÁRIA COM 3º CICLO DE AMORA
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terça-feira, 19 de julho de 2011

A propósito do Processo RVCC - Reflexões

Decidi frequentar o RVCC Secundário para aumentar o meu nível de escolaridade, aprofundar conhecimentos e a pensar nas mais-valias que isso poderia trazer à minha vida futura.
Inicialmente, tive conhecimento do processo através da comunicação social, e tentei posteriormente informar-me acerca do mesmo e do seu funcionamento através de pessoas que já o tinham frequentado ou conheciam alguém que o tivesse feito.
As opiniões eram muitos diferentes e variavam consoante o Centro Novas Oportunidades que a pessoa tinha frequentado. Não fiquei com uma ideia muito clara do que era o processo, mas a maioria dizia que era fácil, que em poucos meses terminavam, era baseado em trabalhos e que nem sequer tinham que se deslocar ao Centro para os entregar, pois era tudo enviado através de e-mail.
Após ter-me inscrito, e ao iniciar as sessões, percebi que afinal era tudo diferente da ideia que tinha criado. Aqui temos acompanhamento, os formadores estão sempre disponíveis para esclarecimento de dúvidas e, a meu ver, temos um nível de exigência bastante elevado, o que nos leva a um maior empenho e perfeccionismo no trabalho desempenhado.
Até ao momento estou bastante contente e a gostar muito de ter tomado a decisão de iniciar este processo. Espero conseguir cumprir todos os objectivos que me foram propostos, não deixando também de corresponder às expectativas daqueles que me têm acompanhado neste processo.

Vanessa Ramos Pina


Iniciei o processo RVCC por motivos de satisfação pessoal. É uma possibilidade para mim de aumentar os meus conhecimentos e alcançar o décimo segundo ano. Eu acho que este programa foi uma decisão inteligente por parte do governo, porque aumenta os conhecimentos e o nível escolar da população. A opinião dos meus amigos sobre o RVCC é dividida. Alguns dizem que é positivo, outros dizem que é negativo. O projecto é, em geral, bem visto na sociedade. O caminho é muito trabalhoso, pois escrevo diariamente durante várias horas.

Eike Berghoff


Vim frequentar o nível secundário do processo RVCC para enriquecer os meus conhecimentos e conseguir a qualificação do 12º ano, que não consegui nos anos normais da escola e assim conseguir ter mais facilidade em arranjar trabalho.
Em comparação ao centro novas oportunidades onde eu estava antes de ser transferido, este centro na Escola Secundária de Amora, foi mais rápido a chamar-me e as sessões são mais esclarecedoras do que no outro CNO.
Ao fim deste primeiro mês neste centro, continuo bastante motivado para continuar e concluir o 12º ano, pois tanto a técnica, os formadores, como os colegas de grupo são bastante simpáticos e divertidos.
Várias pessoas que conheço diziam várias coisas sobre este processo, que não valia a pena vir ou mesmo tentar iniciar, mas para mim, tem sido bastante enriquecedor estar neste processo.
Vou tentar sempre dar o meu máximo para continuar a vir às sessões e concluir com sucesso este processo.

Vítor Couto


O RVCC é um processo que eu penso ser bastante complexo, pois não é fácil falarmos da nossa vida. Já tinha conhecimento deste processo por amigos que o fizeram e mesmo comentários de pessoas alheias em transportes públicos. Sempre ouvi falar bem e de como era fácil, mas ao chegar aqui… constatei que realmente não é fácil, temos de dar muito de nós e com uma vida activa que temos torna-se mais complicado. Não que a reflexão seja difícil, mas ter a cabeça limpa depois de um dia ou uma semana de trabalho intenso e cuidar da casa e do filho, o pensamento não flui. Mas com certeza irá ser compensatório, mesmo que seja uma certificação parcial será enriquecedor, vou perceber que sei mais que aquilo que pensava que sabia e, melhor ainda, vou ter a prova disso!

Tânia Fernandes


Estou a frequentar o nível secundário do processo RVCC.
Tomei conhecimento através de uma amiga, que já tinha concluído e incentivou-me a fazer o mesmo. Referiu que, com garra e dedicação, atingiu o seu objectivo, não era fácil, mas uma alternativa bastante importante e compensadora.
Como tinha bastante vontade de voltar a estudar, informei-me no Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária de Amora em que é que consistia o RVCC e se eu tinha a possibilidade de o frequentar. Após todo o esclarecimento e respectiva análise, vi de imediato que era a oportunidade da minha vida, pois já tinha tentado estudar à noite e infelizmente acabara por desistir. Não era possível conciliar o frequentar aulas todos os dias com a minha vida pessoal e profissional.
Desde que iniciei o RVCC, achei que seria muito complicado e difícil de concluir, mas com o passar do tempo e após as sessões de esclarecimento, fiquei mais consciente de todo o processo que me espera.
Na minha opinião, não é fácil, pois existem imensas competências que fui adquirindo na minha vida, mas para as desenvolver é preciso reflectir e organizar-me de forma a tentar ir de encontro ao que o referencial (a nossa “bíblia”) nos solicita.
“Recordar é viver”, para mim, é a citação mais adequada a todo este processo, pois com toda a informação e aprendizagem ao longo do meu “pequeno” percurso de vida, é fundamental ir recordando todos os ensinamentos que tenho vindo a aprender e, deste modo, tentar realizar todas as etapas com sucesso.

Débora Mendes


Frequentei o RVCC básico no CNO da Escola Secundária de Amora, o qual terminei com sucesso, actualmente estou a frequentar o RVCC secundário, no mesmo centro.
Reflectindo sobre este processo tenho a salientar alguma positividade em relação à minha experiência neste processo, o qual me foi apresentado por um amigo, na altura em que me foi recusado um posto de trabalho numa empresa conceituada, na qual só são preenchidos postos de trabalho por indivíduos com o 12º ano de escolaridade (política da empresa).
No início, tudo me parecia complexo, mas com o decorrer do processo e com o profissionalismo dos formadores, que foram incansáveis no desenvolvimento e acompanhamento do meu portefólio, que foi bastante trabalhoso, tudo se tornou mais simplificado, vindo-se a tornar num trabalho bastante interessante. A própria apresentação a júri foi também bastante interessante, pois revelava o trabalho que tive durante este período e que agora o estava a apresentar, a fim de ser avaliado, isto para mim foi bastante gratificante.
Actualmente, estou a frequentar o RVCC secundário e, segundo a minha primeira avaliação, parece ser um pouco mais trabalhoso, em relação ao processo anterior, mas não é nenhum bicho-de-sete-cabeças, afinal trata-se de uma forma de revelar competências com um grau de validação mais profundo.
Na minha opinião, este processo tem bastantes qualidades, as quais nos são bastantes favoráveis para que nos possamos sentir realizados a nível académico, para que possamos, perante o mercado de trabalho, preencher os tais ditos postos de trabalho, os quais só poderemos fazê-lo, se possuirmos qualificações à altura.
A opinião de quem não conhece ou presenciou um processo deste tipo, é negativa e quase sempre são incapazes de compreender qualquer tipo de explicação dada por quem tem conhecimento de causa, alegando que andou não sei quantos anos “a queimar a pestana” e, actualmente, dirigimo-nos a um centro novas oportunidades e pronto, já está. Ora bem, isto não é bem assim, pois este processo vai validar todas as competências adquiridas no decorrer da nossa vida profissional, pessoal e social, através das quais demonstramos que na realidade aprendemos na prática, o que os ditos estudantes aprenderam em teoria e, por vezes, não as sabem apresentar nos seus meios profissionais actuais, pois falta-lhes a prática.

Pedro Francisco


Reflexões de um grupo de adultos a frequentar o processo RVCC de nível secundário

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Nível Secundário - Júri de Certificação





Depoimento sobre o processo:

O processo RVCC foi para mim muito interessante e diferente de tudo o que eu estava habituada.
Não existe ninguém “burro”, existem pessoas que têm mais dificuldades em aprender e outras que têm menos. Muitas vezes eu perguntava a mim própria para que servia estudar Matemática. Fui-me apercebendo, através deste processo, que a vou utilizando ao longo da minha vida, que aplico as disciplinas diariamente, por exemplo, quando organizo a minha vida financeira. Durante o processo frequentei também a formação modular de Inglês.
Muitas vezes me emocionei ao escrever a minha autobiografia, porque me lembrei de momentos já esquecidos.
No início, o processo foi difícil. Tive mais dificuldades em expressar-me, em pôr no papel, do que em entender o próprio processo. No futuro, gostaria de frequentar o curso de Serviço Social.



Michelle Isidoro -Nível Secundário – 13 de Julho de 2011




Excerto do Portefólio:


A gestão e administração de condomínios é, no meu entender, uma actividade aliciante, quer pelos contactos com as pessoas, quer pela diversidade de situações que nos surgem.
Num mundo cada vez mais concorrencial, a actividade onde me insiro obriga-nos a uma constante actualização e atenção às movimentações do mercado, por isso, e com alguma frequência, visitamos o portal do condomínio onde surgem diversas situações e opiniões sobre as mesmas, que analisamos e de onde retiramos as necessárias ilações. (...)
Fazemos a gestão de cerca de cem prédios e exercemos a assessoria de um centro comercial e dois prédios, num universo de, mais ou menos, dois mil condóminos.
Para além disso, estamos em estudo, com uma empresa, para fornecimento de um novo programa de gestão de condomínio, para que os condóminos, através de um username e uma password, possam aceder novamente à informação do seu prédio via internet, situação que já existiu e que por, falência de empresa que forneceu o programa, deixou de ter acesso.

Francisco Neves - Nível Secundário

terça-feira, 12 de julho de 2011

Sessão de Júri de Certificação - Nível Secundário


Excertos de Portefólios:


"Ao chegar a Inglaterra observei atentamente as diferenças culturais, religiosas e laborais e vou descrever de seguida algumas delas. No Reino Unido existe um elevado numero mães adolescentes. Em Portugal as mulheres, regra geral, têm filhos após conseguirem estabilidade profissional e financeira e cada vez mais têm filhos mais tarde. No Reino unido são mães jovens e começam a sua vida profissional mais tarde. Um dos factores que influência esta decisão é a atribuição de subsídios. Em Portugal o abono de família e os subsídios sociais são de valores demasiado baixos, sou mãe e sei que estes valores são “ridiculamente” baixos, ao contrário do Reino Unido, onde é dado o abono de família, que lá se chama Child Benefit, num valor que permite garantir o sustento da criança, o Tax Credit, que é atribuído consoante o agregado familiar e os rendimentos e no caso de classes mais baixas ou desempregados, poderão ainda obter subsídios de renda, Housing Benefit, ou até mesmo obterem habitação social. "

Adelaide Canelas
Certificação de nível secundário



"A diferença entre culturas e raças, nem sempre é motivo de divergências, a adaptação de diferentes indivíduos de diferentes raças por vezes é mais fácil do que se pensa e a interacção com os mesmos também.
Na minha vida há uma constante divergência entre culturas, pois parte da minha família materna é de cultura muçulmana e uma outra parte católica e entre estas culturas as diferenças são bastante notórias, daí presenciar algumas situações. Eu sou o exemplo da diferença, pois para além de o meu bisavô ser de origem síria e ter casado com uma portuguesa, as diferenças mantiveram-se nas gerações seguintes, pois a minha mãe é de origem síria e o meu pai é de origem africana.
A diferença de comemoração da cerimónia do casamento é significativa, pois a cerimónia muçulmana dura três dias em que o primeiro dia é aquele em que a noiva dá em sua casa uma festa alegre apenas com as mulheres da família com um lanche servido por ela, durante este dia e a semana anterior a noiva não sai de casa e cobre-se apenas com roupas brancas, até ao dia do casamento. Daqui a diferença entre o casamento católico, pois é no dia do casamento em que a noiva se veste de branco, existe ainda uma festa realizada antes do casamento chamada despedida de solteira, que nada tem a ver com o ritual realizado no casamento muçulmano. O dia da cerimónia que em árabe é chamado o “ Nikah”, casamento em português, é o primeiro dia que a noiva tem contacto físico com o noivo e é apenas depois da celebração e cada um deles cobertos por um véu branco, este ritual é feito para que o noivo e a noiva sejam o espelho um do outro. O casamento muçulmano é literalmente um contrato entre um homem e uma mulher e suas famílias, pois estes passam a ser uma única família. Três dias após a celebração as duas famílias reúnem em casa do noivo para uma festa alegre, esta servida pelos noivos.
Durante a cerimónia, o copo de água é muito restrito pois os muçulmanos comem apenas o cabrito e este é morto e abençoado no dia da cerimónia e assado, não há consumo de bebidas alcoólicas, pois esta é considerada uma cerimónia abençoada e pura, daí esta diferença. A nossa boda é comemorada com muita comida de todo o tipo e com grande variedade de bebidas.
Esta cerimónia é realizada na presença de muitas flores que representa a pureza e alegria, a massa de açafrão é utilizada na tez da noiva para fazer desaparecer a luminosidade da sua tez para que nenhum outro homem possa olhá-la. Já no caso da nossa cerimónia a noiva maquilha-se para que a luminosidade da sua tez se distinga.
(…)
Existe também uma questão muito curiosa na celebração da nossa cerimónia, o Natal, que não é celebrada pelos muçulmanos, por isso para eles é uma festa estranha e de alguma forma uma controvérsia à sua cultura pois o cabrito só é morto na data com algum motivo muito forte, no caso da celebração do casamento. Inicialmente parte da família celebrava o Natal enquanto aqueles que praticavam a cultura muçulmana ficavam de parte durante esta data. Com o passar dos anos foram-se integrando nesta festa e hoje em dia participam na festa; só não dão os presentes da época porque o seu simbolismo não lhes permite.
O chamado ramadão, bastante conhecido, é praticado desde sempre pela minha família, mas ninguém o pratica a não ser aqueles que estão convertidos, pois é impensável esta prática do ramadão por outro membro que não seja convertido, porque é considerado uma ofensa à cultura, e daí até preferem que ninguém pratique, apesar de todos nós respeitarmos esta quadra.
Apesar de todas estas diferenças, tentamos de alguma forma satisfazer os costumes de todos presenciando sempre as diferentes culturas, tentando sempre estarmos unidos, até porque somos uma família e temos de permanecer como tal, unidos apesar das diferenças e controvérsias. Nem sempre é fácil mas ambas as partes fazem alguns sacrifícios para que o ambiente seja harmonioso e não exista tensão."


Rita Pereira

Certificação de Nível Secundário


Depoimentos sobre o processo RVCC:



Inscrevi-me neste programa para ter a oportunidade de concluir os meus estudos e validar todos os conhecimentos adquiridos ao longo da minha vida.(…)
Nasci em Moçambique.(…)
Apesar de estarmos cá em Portugal, mantivemos algumas das nossas tradições, principalmente nas festas familiares onde incluímos sempre os nossos pratos típicos: o caril de frango, caril de amendoim, caril de caranguejo. Alguns destes pratos têm origem indiana. Também são confecionados outros pratos africanos que eram cozinhados no sul de Moçambique, onde nasceu a minha mãe, compostos sobretudo por folhas de plantas e vegetais de que são exemplos: a matapa feita com folha de mandioca e a macouve que, como o nome indica, é feita com couve e amendoim. A alimentação é muito rica em vegetais e em Moçambique as plantas têm um papel muito importante tanto na alimentação como nas medicinas alternativas e tradicionais.(…)
Em Moçambique existe muita diversidade cultural devido às diferenças étnicas entre os povos do Norte e os do Sul, bem como a mistura com indianos, especialmente goeses, e com árabes na zona norte. No aspecto cultural há a destacar que um dos melhores escritores de língua portuguesa, o moçambicano Mia Couto e na pintura, com relevo internacional, o recentemente falecido Malangatana.
A diversidade de populações proporciona uma gastronomia muito rica no que é ajudada pelas especiarias e pelo peixe e marisco das águas quentes do oceano Índico que banha a sua extensa costa. A título de exemplo junto uma receita de Caril de Frango à Moçambicana. Enquanto o prepara vá petiscando uma chamuça meio-picante ou muito picante dependendo do gosto.
Caril de Frango à Moçambicana
Ingredientes:
• 1 Kg de frango
• 2 chávenas de arroz
• 1 cebola grande
• 2 tomates
• 3 dentes de alho
• 1 dl de azeite
• 2 dl de leite de coco
• 1 polpa de coco
• 2 colheres (sobremesa) de caril
• 2 colheres (sopa) de coco ralado
• 2 colheres (sopa) margarina
• cominhos q.b.
Preparação:
Faz-se um refogado com o azeite, margarina, alhos, cebola picada e uma das colheres de caril. Depois de alourar, colocar o tomate desfeito e os cominhos. Junte um pouco de água. Deixe aquecer. Depois de aquecer este preparado coloque os pedaços de frango cortados pequenos. Junte mais água para que se faça a cozedura em lume brando sem queimar. Antes de o frango estar cozido, coloque o coco ralado e a polpa de coco (em barra ou comprado fresco, passada na picadora). Deixe apurar. Quase no final deite o leite de coco misturado com a outra colher de caril. À parte, coza o arroz. O caril é depois servido por cima do arroz cozido.(…)

Albertina Velez
Certificada com o Nível Secundário – 6 de Julho de 2011


Inicialmente, quando me propus a este “desafio”, não imaginava o quanto a minha rotina diária iria ter que mudar para poder realizar todo o trabalho que me era solicitado.(…)
Este processo foi excelente para a minha valorização pessoal e profissional. Para mim foi extremamente importante concluir este processo, porque gostaria futuramente de trabalhar na área da saúde, pois sempre foi o meu desejo, mas dadas as circunstâncias da vida não consegui acabar os estudos, com muita pena minha.
Graças às Novas Oportunidades, tive a oportunidade de voltar a sonhar, e penso que é possível tornar o meu sonho realidade. Após concluir o 12º ano quero melhorar a minha vida profissional, para melhorar a minha vida pessoal. Ambiciono ter um futuro melhor e tem que partir de mim dar o primeiro passo.
As maiores dificuldades com que me deparei foram essencialmente, voltar a escrever, demonstrar capacidade de reflexão sobre a minha própria aprendizagem e perceber os critérios de evidência de CP. No início do processo, estive um bocado perdida, pois foi difícil descodificar o Referencial. Do meu ponto de vista estão numa linguagem um pouco complicada e pouco explícita em relação ao trabalho pretendido. Mas com a ajuda de todos os formadores e da minha profissional de RVC, tudo se compôs.(…)

Mª Filomena Fernandes
Certificada com o Nível Secundário – 6 de Julho de 2011


Procurei as Novas Oportunidades na Escola Secundária de Amora, por ser a escola mais perto da minha residência e porque foi a opção que encontrei para, neste momento da minha vida, conseguir concluir o ensino secundário.
O que me levou a iniciar o processo RVCC foi o facto de, no ano lectivo 2008/2009 através do acesso para maiores de 23 anos, ter tentado a minha entrada na Universidade e não ter conseguido.
Decidi não ficar parada, pois o facto de não ter concluído o ensino secundário faz toda a diferença, quer para o meu sucesso e progressão a nível profissional, quer para me sentir realizada a nível pessoal. O facto de eu trabalhar há muitos anos em Contabilidade e ter as capacidades e o profissionalismo de uma técnica de contabilidade, sem o 12º ano concluído, não terei tantas hipóteses como aqueles que o têm. A conclusão do ensino secundário é uma mais-valia para mim, porque hoje estou empregada, mas amanhã posso já não estar e assim terei mais hipóteses no mercado de trabalho.
Agora quero olhar para o futuro com a certeza que tenho mais uma “enxada” para poder cultivar melhor o meu amanhã, na certeza de que com o 12º ano concluído terei mais oportunidades. Continuo a pensar em estudar, vou tentar o acesso ao ensino superior e finalmente conseguir aquilo que mais quero, ser Técnica Oficial de Contas.

Marina Veiros
Certificada com o Nível Secundário – 6 de Julho de 2011

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Experiência na pesca do bacalhau








Nesta época natalícia, o Bacalhau é um elemento incontornável em qualquer mesa portuguesa. Nem sempre foi assim. Como escreveu o nosso adulto em processo Paulo Sousa, que possui no seu currículo 2 anos de campanhas na pesca deste peixe, “quando este começou a surgir o mesmo era consumido pela chamada classe baixa. Com o passar dos anos passa a ser consumido por todas as classes sociais, e verifica-se a evolução da culinária, a confecção de receitas a partir do bacalhau chega às várias centenas.

Desta forma houve um aumento enorme na procura do bacalhau, ao ponto de, hoje, esta espécie se encontrar ameaçada de extinção. Segundo um relatório da World Wide Fund for Nature (WWF), uma entidade não governamental dedicada à conservação da Natureza, a captura do bacalhau sofreu uma quebra de 70% nos últimos 30 anos e se esta tendência não se inverter, o bacalhau poderá desaparecer dentro de apenas 15 anos.


Ao lermos a descrição do Paulo Sousa sobre a evolução tecnológica que a apanha do Bacalhau sofreu, fica bem claro como chegámos a este ponto:


“Importa referir as diferenças entre os anos em que o meu avô foi pescador (de 1937 a 1956) e a evolução até aos dias de hoje. No inicio do século os navios eram à vela (…) e a pesca era feita a partir dos dorís, cada pescador pescava com duas linhas tendo cada uma delas um só anzol.


Apesar dos avanços na construção naval, com o surgimento dos navios a motor, as campanhas ao bacalhau mantiveram-se nos seis meses, ou seja, cada navio só fazia uma viagem aos bancos da Terra Nova (por ano).


Igualmente foi possível capturar muito peixe mas sem afectar grandemente as reservas, pois que o peixe capturado era essencialmente adulto, tendo-se já reproduzido, mantendo deste modo um equilíbrio entre o peixe que nascia e o que era capturado.


Nos anos sessenta foram abandonados os dóris e introduzidas as redes. Estas eram lançadas ao mar de várias formas, tanto a partir de pequenas embarcações a motor que existiam a bordo dos navios, como a partir dos próprios navios por um dos bordos e eram designadas por redes de emalhar. As lançadas a partir da popa do navio eram arrastadas ao longo de vários milhas e capturavam toda a espécie de peixe, apesar das restrições.


Foi também por esta altura que começaram a surgir as sondas (sonares), equipamento que veio permitir varrer o fundo dos oceanos e desse modo determinar a localização dos cardumes, dando desse modo aos Capitães dos navios uma percepção mais exacta sobre o local onde lançar as redes.


Apareceram ainda navios Espanhóis que pescavam em parelha, ou seja, cada um tinha uma das extremidades da rede. Este tipo de pesca visava o lucro fácil e rápido e fazia jus ao ditado que diz que “ tudo o que vem à rede é peixe” desse modo efectuavam uma captura ainda mais agressiva sobre todas as espécies piscícolas, não permitindo que o peixe atingisse a idade da desova, impossibilitando desse modo a regeneração dos cardumes.


Toda esta azáfama de navios de grande porte que nesta altura já faziam não uma, mas duas campanhas por ano, a que se juntaram mais tarde os navios fábrica, começaram a ter efeitos nefastos na regeneração do pescado. Apesar das autoridades Canadianas terem navios e aviões a controlar a posição dos navios e também fiscais a bordo dos mesmos, era vulgar os Capitães adoptarem alguns truques para capturar mais peixe.
(…)


Recordo-me de um arrastão que ao entardecer entrava nos bancos do bacalhau e arrastava até ao nascer do dia, regressando depois à sua área de pesca. Como era um navio recente o seu sistema de propulsão permitia-lhe deslocar-se rapidamente, mas não há bela sem senão e o truque foi descoberto, não restando outra alternativa que não fosse a fuga para águas nacionais. Os Açores estavam tão perto mas a ameaça do uso da força por parte da guarda costeira levou o navio a dar meia volta, parte do pescado foi confiscado e o Capitão proibido de regressar por um período de cinco anos.”

Paulo Sousa, adulto em certificação Nível Secundário

Neste episódio da sua vida, do qual apresentámos apenas um excerto, o Paulo Sousa evidencia (documentando com imagens e cópias de documentos) ter actuado “na exploração dos recursos naturais (…) com conhecimento dos meios técnicos adequados, tradicionais ou inovadores”. Este é um dos 3 critérios de evidência de Sociedade, Tecnologia e Ciência necessários para validar a competência do domínio profissional do núcleo de Urbanismo e Mobilidade.
Inês Oliveira, Profissional de RVC
Rui Laureano, Formador de STC


E você? Vai comer bacalhau este Natal?

Como transformar uma experiência em competência?

O seguinte texto do adulto Luís Rodrigo é um bom exemplo para demonstrar como uma experiência de vida significativa pode ser o ponto de partida para uma reflexão orientada para o Referencial, neste caso, para o Núcleo de Saúde, contexto profissional.

“No decorrer de domingo de manhã, durante o serviço de pequenos-almoços no hotel, procedi ao abastecimento de umas lamparinas de um banho-maria (Banho Maria, ou Rechaud, é um equipamento hoteleiro que permite manter os alimentos quentes durante o serviço de sala). Essas lamparinas estão cheias com um gel inflamável com base de álcool.

Depois de encher as mesmas, inflamei o gel que continham, para posteriormente colocá-las no respectivo lugar. Acontece que, sem me ter apercebido, um pouco desse gel entrou em contacto com as minhas mãos e, quando inflamei a lamparina, a minha mão começou também a arder. Com a aflição, larguei a lamparina para o chão e apaguei o gel que tinha nas mãos, no entanto, a lamparina caída derramou gel para o chão junto a uma mesa de bufete, inflamando de imediato as toalhas em redor da mesma. Para piorar a situação, o recipiente que contém o gel combustível incendiou-se, porque estava junto ao bufete, cujas toalhas estavam a arder.

A minha reacção (erradamente) foi pegar numa toalha de mesa e tentar abafar o fogo. Infelizmente, a toalha que escolhi tinha um composto acrílico e assim que entrou em contacto com as chamas começou a arder. A minha aflição foi tal que entrei em stress e procurei uma nova toalha para proceder à mesma acção, mas a toalha voltou a servir de combustível.

A minha sorte foi o alarme de incêndio ter disparado na recepção e rapidamente 3 colegas virem em meu auxílio com extintores.

O que surpreende nesta situação é que, a menos de 10 metros do local onde me encontrava estava um extintor e nunca me passou pela cabeça correr para buscá-lo. Chego à conclusão que nunca se está preparado para uma situação deste género e que a melhor forma de preparar as pessoas é com formação e com treinos periódicos”.

Luís Rodrigo

Esta conclusão que o Luís Rodrigo tira mostra que este episódio se traduziu numa aprendizagem significativa, pois pensou no que lhe aconteceu e sentiu na pele (literalmente) a importância de uma formação na área da segurança que envolva treinos práticos em situações de emergência. Estas aprendizagens significativas são o ponto de partida da construção do Portefólio Reflexivo de Aprendizagens (PRA) mas é necessário, depois, reflectir sobre elas.

Neste sentido lançamos aqui alguns tópicos de reflexão:

Em termos de segurança no seu local de trabalho, quais os aspectos positivos a realçar? E os negativos? O que faria para melhorar as condições de segurança no seu local de trabalho? Como comunicar aos seus colegas a importância da realização de simulacros no local de trabalho?
Pretende-se, com estas reflexões, permitir ao adulto evidenciar, por exemplo, a competência de Sociedade, Tecnologia e Ciência: “Promover comportamentos saudáveis e medidas de segurança e de prevenção de riscos em contexto profissional”, de acordo com o Referencial de Competências-Chave do Nível Secundário.
Inês Oliveira, Profissional de RVC
Rui Laureano, Formador de STC

terça-feira, 27 de julho de 2010

Certificado de RVCC - nível secundário.

Foi gratificante conseguir o certificado de RVCC-nível secundário.
Pela convivência com os colegas, formadores, técnicas e restantes colaboradores da equipa do CNO.
A experiência de voltar ao ensino de forma diferente, mais responsável, aproveitando a nossa experiência de vida, a nível social, profissional e cultural para, reflectindo sobre os nossos conhecimentos, experiências e práticas, atingir os objectivos pretendidos, foi sem dúvida uma etapa que me marcou pela positiva.
Quero assim deixar publicamente o meu agradecimento, primeiro:
À Técnica de diagnostico Drª Ana Mariano que foi quem me encaminhou para este processo.
À técnica de RVCC Drª Marina Fernandes, que sempre teve uma palavra de incentivo e mostrou disponibilidade para me atender e aconselhar.
Ao formador de STC- professor Rui Laureano que ao corrigir os meus textos, deixou sempre indicações para que eu os pudesse reformular e validar as competências, sempre que necessário se disponibilizou para me dar exemplos e esclarecer as minhas dúvidas.
Ao formador de CLC- Professor João Pires, que também se mostrou sempre disponível para esclarecer duvidas, aconselhar e deixar indicações nos textos corrigidos, para outros textos.
À formadora de CLC-LE –Inglês -Professora Manuela Bernardino, pela ajuda na exploração para a produção dos textos em inglês.
E a todos os funcionários e colaboradores deste CNO pela simpatia com que nos recebem.
O meu muito obrigado e até breve.
Ana Paula C. F. Rosa

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Feedback do processo de ALV de um adulto certificado

"...quero-vos agradecer à grandiosa equipa de formadores e informá-los que entrei na Universidade Nova de Lsboa- FCSH na Licenciatura de História.
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Obrigado caros professores, a vossa competência no ensino aos adultos ficará para sempre marcada no meu sucesso pessoal. Sem vós nada disto teria sido possível, o CNO da Escola Secundária de Amora ficará para sempre gravado na minha memória.
Cumprimentos
Manuel Lobato"

A equipa do CNO congratula-se com o seu sucesso e deseja-lhe as maiores felicidades.